quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Verão de 42

Muito feliz fiquei de encontrar este vídeo (thanx C. Richie) com trilha original e cenas do belíssimo filme de 1971, dirigido por Robert Mulligan e escrito por Herman Raucher, novaiorquino do Brooklyn, nascido em 1928.

A par de todo o seu horror, a II Guerra Mundial rendeu belas histórias, sofridos amores, filmes e melodias inesquecíveis. Cresci ouvindo contar alguns dos seus episódios, ocorridos com os nossos expedicionários.

Raucher conta a história do verão de 42 a partir de sua própria experiência na Ilha de Nantucket, quando ele, Hermie (Gary Grimes), aos 15 anos se apaixona por Dorothy (Jennifer O'Neil), a jovem viúva de soldado morto na guerra, mulher com a qual ele perde a virgindade, e a quem jamais voltaria a encontrar. Lírico e triste como os fatos da vida em tempos de guerra.

O tema é recorrente: gurizão tímido e desajeitado, louco pra inaugurar o sexo, se apaixona por mulher bonita bem mais velha. Que menino não teve lá a sua professora (tia Miriam?), a sua vizinha, a sua prima mais velha, com cuja imagem se deleitava na solidão de sua cama de solteiro? Ou, quiçá, no porão da casa dos avós, enquanto ajeitava cavaquinhos pro fogão de lenha, no fim de um longo dia, depois de ler o Carlos Zéfiro com a turma, em algum lugar meio abandonado? Dureza...

De toda forma a história é comovente, o filme é delicado, a música é de Michel Legrand, vale dizer, da mais alta qualidade e sensibilidade possíveis. Legrand é um dos maiores heróis do Panteão dos Amados Jazzistas da San.

Se você nunca teve o privilégio de assistir a esse belo exemplar do moving theatre, vulgo movie, aí está o lembrete. Corra atrás, pois você já perdeu metade de sua vida em não o ver. O mundo precisa de carinho e delicadeza, nesses tempos em que nossa urgência se concentra na performance das tropas de elite. O mundo precisa de melodia e romance inocente, nesses tempos em que rap, hip hop e outros bichos, dão o tom da agressiva sexualidade e do amor descartável.

E tenho dito! Beijocas da tia San, meus amorecos.

E, ca-la-ro, como não podia deixar de ser, the lyrics, coisa mais linda (fico com peninha):

C'était l'été 42
On hésitait
Encore un peu
Entre l'amour et l'amitié
Et puis un jour
Tout simplement tu t'es offerte

C'était l'été 42
J'avais quinze ans
Tu étais belle
Autour de nous c'était la guerre

Et moi dans tes bras
Je criais: je t'aime
Dans mes bras
Tu pleurais: je t'aime
On avait peur
On était heureux

C'était l'été 42
J'avais quinze ans
Tu étais belle
C'était l'été de mon premier amour

7 comentários:

  1. Gerson Guelmann zs9 de dezembro de 2010 15:01

    Pra machucar meu coração.

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  2. Tá fazendo um ano e meio, amor
    que o nosso lar desmoronou
    Meu sabiá, meu violão
    E uma cruel desilusão
    Foi tudo o que ficou
    Ficô ô ô
    Pra machucar meu coração

    bjo, GG

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  3. òtima dika... não vi e agora quero conferir... não dá pra viver só com filmekos de zumbis..

    JOPZ

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  4. More brain, more brain, more brain...
    Esse o seu fave movie style, né Jopinhozzz?
    huashuashuash

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  5. Boy meets girl, girl meets boy... The good'ol story!

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  6. Yay,
    isso mesmo, no matter their age, I hope...
    How are you, dear?
    Long time no email, how's it going?
    Miss you!

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