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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Declaração de amor


Roberto Béco Prado, amor de colelgua, mandou esse video.
Porque me conhece bastantinho. Porque sabe bastantinho dos meus amores e dos meus desamores.
Sabe, por exemplo, o quanto eu amo o som chamado jazz, e o quanto eu vomito no que hoje se intitula música prapular brasileira.

Bekão sabe que, from the bottom of my heart, eu não sou brasileira, sou americana.
Gentílico genérico, aqui aplicado com sentido específico, americana quer dizer, no idioma do mundo,
 norteamericana. Of course.
A América Latrina não produz americano, na noção do mundo. Produz latinoamericano, que é outra coisa.

Compilem todos os erros dos americanos, todas as falhas, todas as babaquices, o que quiserem. Atirem as infinitas primeiras pedras. I don't care. Babaquices brazucas me torram muito muito muito mais.

Caminhar pela ruas de NYC, ouvindo a música de NYC. Black music, que seja, toda essa coisera que hoje se remexe no melting pot da música, vá lá. Melhor que o lixo sonoro que hoje aqui se chama sertanejo e, para atestar a sua, abre aspas "nobre" fecha aspas, procedência, aglutina-se-lhe o adjetivo universitário. Procede, uma vez que o nosso nível universitário está abaixo do cu da cobra. Waaay down the snake's asshole, diriam na Bahia. Axé music... another crap by the way.



No último fim de semana, em que desgraçadamente se comemorou o Dia do Trabalho, passei o sábado ouvindo a passagem de som, e o domingo ouvindo o som propriamente dito, de dezenas de escrotices musicais.

Padres cantores, covers do esquelético rock nacional, gospel desvirtuado, breganojo, pagode, imagine toda a casta dos analfabetos musicais que, por terem aprendido rudimentos de um instrumento qualquer que produz som, pensam que fazem música. Para uma plateia de degenerados mentais que pensam que estão ouvindo música.

Aliás (parênteses superimportante), os caciques que autorizam toda essa lepra sonora, que assola o Centro Cívico em datas co-merda-morativas, deviam botar a mão na consciência (difícil botar a mão naquilo que não se tem, mas que vá) e reduzir a nhaca pra um terço, um quarto, das nefastas horas atualmente permitidas. Melhor: transferir os festivais de nojeira para o sítio da Praça Rui Barbosa, que tal?

Imagina isso: a passagem de som começa no sábado, às 07h30 da matina, pleno volume e, obviamente, se estende pelo tempo que todas as lacraias precisam pra completar a nhaca.

No glorioso domingo a gente é derrubado da cama pelo bradar histérico-ansioso daquele padre. Sabe quem, não é? Deve saber. Tem dúzias por aí. Breganojo frustrado que achou, na maldita missa cantada, um outlet pra todo o lixo que reverbera em suas entranhas, a que ele provavelmente chama talento e inspiração divina.

Padre cantor, compositor, tocador de viola, o raio, devia ser excomungado. Já não bastam os pederastas e pedófilos que a Santa Madre nos empurra goela abaixo??? Vão sifu.

E aí a coisa flui. Como um vasto e caudaloso rio de merda sonora, domingão adentro e afora.

Você mora no Centro Cívico ou imediações? De duas, uma: ou você faz parte da legião dos nanicos mentais e se delicia com a podreira, passando o final de semana em estado de desgraça, ou você faz parte das magras falanges das pessoas de bom gosto, e se martiriza hediondamente durante um interminável final de semana, em que seus tímpanos são estuprados seguidamente por sons asquerosos, horríveis, e nojentos.

Quem permite que isso aconteça, comete vários crimes ao mesmo tempo, um deles o de emburrecer ainda mais o povaréu ignaro. Coisa bem triste, a que quase ninguém dá a devida importância.

Eu? Passo o final de semana toda com meus ouvidinhos tamponados por silicone. Obrigando MyLove a me catar toda vez que quer dizer alguma coisa, sussurrando um delicioso e impaciente "Venha aqui, surdinha!"

Well, é preciso tirar alguma pérola desse chiqueiro sonoro...

Então, pra fechar a ideia: imagine o que seria trocar essa plêiade de párias musicais, pelos músicos de rua de New York, especialmente pelos jazzistas? Seria como se eu tivesse um ponto G em cada ouvido, mais ou menos.

Por isso, e não só por isso, junto-me devotadamente ao coro dos bem-aventurados que declaram:

♥  New York

Obrigada, Bekão. Doce de pessoa. Com filhos liiindusss. Família Prado: gente boa da melhor qualidade.

A agora, para algo completamente delicioso, Ella the diva, and Louie, the Satchmo, cantando o que os meninos do vídeo lá em cima estão brincando: Stompin' at the Savoy, um big band classic, escrito em 1934 pelo saxofonista Edgar Sampson (w/ Benny Goodman, Chick Webb?), em homenagem ao Savoy Ballroom, uma espécie de "gafieira", mutatis mutandis, no Harlem, onde blacks & whites se entendiam perfeitamente, vivendo jazz.






Savoy, the home of sweet romance
Savoy, it wins you with a glance
Savoy, gives happy feet a chance
to dance

Your form just like a clinging vine
Your lips so warm and sweet as wine
Your cheek so soft and close to mine
divine

How my heart is singing
While the band is swinging
Never tired of romping
And stomping with you at the Savoy

What joy  a perfect holiday
Savoy, where we can glide and sway
Savoy, there, let me stomp away 
with you


terça-feira, 26 de abril de 2011

Béco Prado

Becão, meu superfofo companheiro de trabalho e quase irmão, essa pessoa poética, brilhante, sensível, ilustrada, com memória de elefante e apetite idem (pertencente à tribo dos magros sem vergonha, no universo paralelo dos gordos sem vergonha), única coisa que eu invejo, fora ter mãe ainda, em qualquer pessoa.


Becão digitou as mui bem encontradas linhas abaixo, a propósito da vitória do Coxa.

Não que ele seja coxa, na verdade acho que o Beco é panfutebolístico, pois não gosta de discordar de ou afrontar a ninguém.

Enfim, vejam que líndimo. Saiu ontem, no jornal da e-paraná canal 9, às 20h00. Vejam o jornal, gentem. Está melhorando a cada dia, e ao final sempre uma crônica de um dos coordenadores de criação.

Qualquer dia escrevo uma. Mas vou tentar fazer a locução também, com a cara e a coragem que o Deus me deu. Sou metidinha, sabem como é. Calaro, se não rolar será vetado. Paciência.

Tentar não ofende.
Pode ser ridículo, mas aí, fica a critério de cada um.



Poesia futebol clube 
Roberto Prado

Por mais que se esforcem, os comerciantes de emoções, para fazer do futebol apenas um negócio, a arte sobrevive nele, teimosamente. 

Sobrevivem a dança e o ritmo. Sobrevive a pintura. Sobrevivem o drama, a comédia, a tragédia, a dor e a delícia de fazer parte de um time e defender as suas cores. Sem violência, sem boçalidade, sem trapaça. Ganhar e perder, cair e levantar. Mas nunca deixar de reverenciar os bons. 

Sangue, suor e lágrimas, para defender o nosso grupo, armados de magia, arte e imaginação. 

Defender os nossos, mas com a precisão e a delicadeza de quem joga o bom jogo. Sabendo que amanhã nós seremos eles, eles serão nós, todos torcedores da mesma imensa e frágil bola azul infinitamente a girar.

Futebol, mais símbolo que realidade, mais energia que matéria. Futebol, metáfora da vida. Vida que fica bem melhor com poesia. Como esta, de João Cabral de Melo Neto:

A bola não é a inimiga
como o touro, numa corrida;
e, embora seja um utensílio
caseiro, e que se usa sem risco,
não é o utensílio impessoal,
sempre manso, de gesto usual:
é um utensílio semivivo,
de reações próprias como bicho
e que, como bicho, é mister
(mais que bicho, como mulher)
 usar com malícia e atenção
 dando aos pés astúcias de mão.


Como eu disse ao Beco, nunca vi o João Cabral tão bem preambulado. Bjo, Bé.


Photô de Aidon Noul. Arte do Solda,
do blog "Estou Ciente Que Vou Ver Bandalha, Quero Continuar"

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Emily Dickinson, com beijos do Beco (à propos de Clara Averbuck)

I'm Nobody! Who are you?

Are you – Nobody – too?


Then there's a pair of us?


Don't tell! they'd abanish us – you know!

How dreary – to be – Somebody!


How public – like a Frog –  


To tell one's name – the livelong day –  


To an admiring Bog!





Não sou Ninguém! Quem é você?

Ninguém – Também?

Então somos um par?

Não conte! Podem espalhar!

Que triste – ser – Alguém!

Que pública – a Fama –

Dizer seu nome – como a Rã –

Para as palmas da Lama!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Olha o que o Beco me mandou, que ultrafófis!

Filhotinhos de porco-espinho! Isso explica como meus filhos podem ser tão adoráveis...

Polaco da Barreirinha & meu amigo Béco (do) Prado

Pescado no Renato Quege
O Beco Prado é o maluko de óculos, camisa clara e calça escura, à direita

Vaga esta escuna, virgem verso
a não significar mais que o mastro.
Bem longe, afunda o ígneo astro,
sereias áureas rugem ao reverso.

Naveguemos, ó meus fraternos
Amigos! Eu, de vento em popa,
vocês, em festa, não dêem sopa
à onda que deriva dos infernos.

Minha loucura fala mais alto.
Sem medo do mar, tomo de assalto,
para fazer aos céus esta oferenda:

- Calmaria, recifes, constelações,
nada espero ao final da senda,
salvo o afã de nossos corações!



Mallarmé, por Thadeu W e Roberto Prado

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Dá licença

Não estarei postando adoidado hoje porque terei um encontro com meu redator-jornalista-poeta-campanhista-publicitário-colega de trabalho-amigo e quase irmão Beco Prado.
Ele vai me choferear pelo Centro Cívico e adjacências, pois meu joelho extrapolou o prazo de validade, estou fisicamente desabilitada.

Depois do tour, um café com todas as delícias que a Güths produz. Becão estará merecendo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Caras que eu curto

Beco Prado

Nenhuma foto podia dizer menos sobre Beco Prado do que esta aqui. O Beco é um doce. Jamais aponta o dedo, jamais acusa, jamais critica ninguém. Não do modo ácido como eu faço e ainda acho pouco. O Beco critica como quem se critica: sem vontade de esmurrar. Eu não. Eu quando falo mal, gostaria que minhas palavras fossem dardos, de preferência  embebidos em curare.

O Beco é jornalista, publicitário, escritor, redator, tradutor, filósofo, ator, autor e diretor teatral, roteirista de cinema, compositor, campanhista eleitoral, marido, pai, irmão, cunhado, avô adolescente, amigo e poeta, pensador brilhante. Mais distraído que menino em palestra. E a coisa muito boa que paira sobre essa história toda: come feito um condenado e é magro a vida inteira. Mas não, não era isso o que eu ia dizer. Era:

E a coisa muito boa que paira sobre essa história toda: um dos maiores gênios humoristas que eu conheço, no mundo real ou imaginário. O Beco é naturalmente hilário e este é um dos melhores elogios que eu faço a alguém, uma das maiores glórias terrenas. O Beco me mata de rir sem fazer muito esforço, adoro.

Beco, tiamu!

Beco Prado tem uma porção de livros publicados, esgotados, que você só encontraria em sebos ou em casa de gente muito ligada nessas coisas, que nem eu, ou felizarda por ter ganhado os livros dele, que nem eu. Olha só:


Dia da criança
(Um poema aprovado pela minha mãe)


num lar ao léu onde chorar é a lei
alguém vagava pelas ruas do Brasil
vinha com saudades do Casimiro de Abreu
aurora da vida, imensa pátria sem pai


alguma coisa ali voltava aos trilhos
um calor carinho vindo de longe
pôs um novo menino entre meus filhos
com um sorriso não sei de onde
foi ali, na hora em que o céu era todo seu,
que eu acariciei meus cabelos por você
foi só ali, pai, que me adotei
e aí foi que senti, só, que só faltava eu

Roberto Prado e dona Nadir, que às vezes aprova seus poemas

Amplo Espectro blog do Beco