As cunhas mais descaradas metidas a figuras públicas
(tradução: os mais descarados pistolões pedidos a figuras públicas)
A cunha é bem portuguesa e parece fazer parte do nosso ADN. Começa pelo "agradinho". O galo capão que se entrega nas mãos do senhor doutor, as flores que se oferecem à senhora professora, o whisky de 15 anos que chega à mesa do "soutor" juiz, a casa de férias emprestada ao senhor árbitro ou ao senhor presidente da Câmara.
Estes são alguns cabazes de favores que não se entregam só no Natal. Isso faz de nós um país de cunhas? Parece que sim. (...) toleramos bem o tráfico de influências e consideramos que é até um atalho necessário para ultrapassar um Estado lento e desatento aos nossos direitos e necessidades.
No livro 'A Corrupção e os Portugueses - Atitudes, Práticas e Valores', de Luís de Sousa e João Trigães, (...) somos apresentados como um país de corrupçõezinhas. "Que não assentam necessariamente no suborno e na troca directa de dinheiro que compra decisões, mas construída socialmente ao longo do tempo, através da troca de favores, de simpatia, de prendas e hospitalidade".
Leia mais, tem gostinho de déjà-vu mas a linguagem é mais saborosa.
Galo capão
Muitas coisas que ainda são moda viva em Portugal soam aqui como excertos de clássicos da Literatura. Mas o jeitinho é muito up to date. Seria isso um fenômeno global de igual intensidade, ou nós, brazucas & tugas, soubemos cultivá-lo mais e melhor? Ai...